quinta-feira, 5 de julho de 2012

No Tempo das Diligências


John Wayne e Claire Trevor.
O que mais me impressionou ao terminar de assistir No Tempo das Diligências foi estar ciente de que, à época, o gênero western estava decadente, não havia interesse por parte do público nem das produtoras. Este filme de John Ford tratou de mostrar o quão empolgante estes filmes podem ser e reviveu o gênero.
A película de fato merece o status de clássico que possui. John Wayne(ator preferido de Ford) aparece para o grande público em uma ótima atuação como o cowboy Ringo Kid. Além dele, os hilários Thomas Mitchell (como o bêbado Dr. Boone) e Andy Devine (como o covarde cocheiro Buck), além de Claire Trevor (como a corajosa Dallas) completam o excelente elenco do filme, que também tem como mérito conseguir trabalhar bem as personalidades de todas as personagens sem ser superficial.
Cena de enfrentamento com os apaches.
Percebe-se também que o filme estabelece (ou populariza) alguns clichês do western, tal como a “chegada da cavalaria”, e os duelos de rua em que os inimigos caminham de lados opostos da rua em direção um ao outro.
             John Ford foi criativo no que se refere à câmera, com ângulos inusitados; foi também na iluminação, apropriada para as situações emocionais das cenas. Apesar de sua qualidade, infelizmente o filme só ganhou um Oscar (ator coadjuvante, para Thomas Mitchell). Percebendo o erro/injustiça, dois anos depois, a academia encheria de Oscars o sofrível Como Era Verde o Meu Vale em detrimento de Cidadão Kane.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Fases do Cinema: Cinema Novo Brasileiro


Imagino que quem acompanha esta sessão “fases do cinema” deve se se perguntar : “Cinema francês, alemão americano... e o Brasil? Nunca houve uma movimento de vanguarda brasileiro digno de ser citado entre os mais importantes da história do cinema ?”. A resposta, segundo especialistas é que houve sim, e que entrou para a história com o nome de cinema novo brasileiro.
No final dos anos 1950, uma série de jovens ingressavam na vida cinematográfica, seja por meio da produção de curtas metragens, textos sobre cinema ou através da cultura de frequentar cine clubes. Mais tarde na década e 1960, os integrantes do movimento passaram a ser chamados de cinematovistas, seguindo o lema do movimento: “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.
No começo da década de 1960 a maioria dos cinematovistas fizeram suas estreias na direção de longas metragens e se tornariam entusiastas do movimento. Entre eles Paulo César Saraceni, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues David Neves e Glauber Rocha, considerado o maior diretor do cinema novo.
Os filmes tratavam dos mais diversos temas sociais decorrentes do Brasil da época, entre eles a política, o futebol, a precariedade da educação, diferenças sociais e raciais mas principalmente, a miséria e a fome que assolavam boa parte dos brasileiros.  
Os principais filmes do período são Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro de Glauber Rocha; Maioria Absoluta e Garota de Ipanema de Leon Hirszman; Ganga Zumba, Rei dos Palmares, Os Herdeiros e A Grande Cidade de Carlos Diegues e finalmente O Desafio, Integração Racial e Capitu de Paulo César Saraceni. Desses, creio que alguns merecem uma análise particular.
Maurício do Valle como Antônio das Mortes em Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha, 1964).
Alguns filmes da lista acima se destacam em relação à alguns temas, O Desafio por exemplo, mostrava a decepção de um jornalista logo após o golpe de estado que encerrou a democracia no pais. Também a deficiente educação da época foi abordada com coragem no documentário Maioria Absoluta, retratando que a população analfabeta no Brasil da época era o que o titulo sugere; o filme chegou a ter planos para uma sequência, que se chamaria Minoria Absoluta (desta vez sobre os universitários do Brasil), mais foi cancelado devida à pressão politica.
Cena de Maioria Absoluta (Hirszman,1964)
E finalmente, o mais conhecido filho do movimento, Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme de Glauber Rocha que segue algumas das convenções do cinema novo como câmera na mão e locação real, além de exibir a chamada “estética da fome” criada por Rocha. Através de um enredo que se passa no sertão no nordeste por volta de 1930 e acompanha as desventuras do sertanejo Manuel, perseguido pelo jagunço Antonio das Mortes, o filme pretendia incomodar o expectador mostrando a miséria que o país reluta em negar que existe. Além de, como definiu o crítico Richard Pena: “O efeito final é a sensação de que o filme e o país retratado por ele estão a ponto de explodir. Talvez não seja surpreendente que, antes da conclusão (...) e de seu lançamento comercial, os militares brasileiros promoveram um golpe e estabeleceram um ditadura que duraria 20 anos”.      
             Por se tratar de um movimento de denúncia e crítica, a maioria dos filmes desagradou o regime militar vigente na maior parte da década de 1960, a maioria enfrentou problemas com censura ( para se ter uma ideia, Terra em Transe, filme com forte teor político, só foi lançado aqui após ser levado clandestinamente para o festival de Cannes). Após a decretação do ato institucional Numero 5, em 1968, a situação para os cineastas ficaria cada vez mais complicada, muitos, como Glauber Rocha, tiveram que enfrentar exilio. Não havia como o movimento proceder dessa forma, porém, suas realizações e suas ideias continuam ainda hoje servindo de inspiração para novos cineastas.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fases do Cinema- Nouvelle Vague


Uma fato interessante de ser notado na Nouvelle Vague é que ele começou muito antes de os filmes deste movimento serem produzidos. Isso ocorre através das opiniões e críticas expostas por jovens aspirantes a cineastas franceses na revista Cahiers du Cinéma. Mas antes de nos aprofundarmos nesta história, vamos conhecer melhor o contexto em que o estilo nasceu.
Imperava na França da época um cinema monótono, em sua maioria adaptações de clássicos da literatura apoiados em grandes astros, além do chamado cinema do papai, em que imperavam filmes de estúdio, com maquiagem e iluminação impecável, e isto já reinava desde o fim da segunda guerra mundial. Na ânsia de inovar o cinema, aparece o crítico francês André Bazin, dono de uma cinemateca em Paris onde os jovens puderam ter acesso a filmes de diretores como Hitchcock, Orson Welles e Jean Renoir, Howard Hawks, John Ford, etc.  
Cena de Os Incompreendidos (Truffaut,1959).
Além da cinemateca, André Bazin ainda era um dos donos da já citada revista Cahiers du Cinéma, onde diversos futuros diretores como François Truffaut, Jean-Luc Godard, Jacques Rivette e Claude Chabrol expunham as suas opiniões sobre o cinema hollywoodiano, o cinema francês, além dos mais diversos diretores, e claro, reverenciavam seus ídolos, tais como Jean Renoir e Roberto Rossellini (para se ter uma ideia, Truffaut admitiu ter assistido à A Regra do Jogo, de Renoir mais de 20 vezes, e Godard chegou a inventar uma falsa entrevista com Rossellini). Além de absorverem as ideias de outros movimentos cinematográficos recentes como o Neo-Realismo italiano (algumas características deste seriam adaptadas à Nouvelle Vague).  
Se “aquecendo” durante a década de 1950 através da produção de curtas metragens, os cineastas da Vague iriam lentamente caminhando para a produção dos longas metragens que comporiam o movimento. Um dado curioso para entendermos como eram unidos os entusiastas da vanguarda é observar que Godard chegou a ser montador de um curta metragem de Truffaut.
Cena de O Acossado (Godard, 1960).
Pois bem, aquele que é considerado o marco inicial do movimento é Os Incompreendidos, 1959, de Truffaut (que o dedicou a Bazin), apresentado no festival de Cannes, seguido de Alain Resnais com Hiroshima Meu Amor, de 1959, Chabrol com Os Primos, de 1959, e finalmente Godard, que em 1960, lançaria O Acossado. O sucesso de público e critica destes primeiros filmes fez com que nos anos seguintes, diversos jovens cineastas ganhassem oportunidades e pôs no patamar da fama os diretores envolvidos com seu surgimento.
Apesar dos diversos estilos e características únicas de alguns filmes do movimento, a maioria apresenta algumas marcas em comum, tal como: cortes bruscos sem fade (não temem a descontinuidade, ao contrário de Hollywood, o que conferiu mais agilidade aos filmes), filmagem em locações, citações à literatura e a filmes, juventude, roteiros episódicos, uso de equipamento portátil, equipes pequenas, criatividade frente aos limites financeiros (Godard chegou a fazer um travelling com um carrinho de supermercado) e repúdio a estúdios.
No decorrer da década de 1960 a onda (vague) foi perdendo força, as bilheterias dos filmes foram diminuindo. É considerado o marco final do movimento o rompimento da amizade entre seus dois maiores realizadores, Truffaut e Godard, no final da década, porém o movimento já havia deixado seu legado, influenciando o cinema de todo o mundo, inclusive a Hollywood da década de 1970, e o Cinema Novo Brasileiro aqui (falarei sobre ambos mais tarde...).              

terça-feira, 13 de março de 2012

Fases do cinema - Neo-Realismo Italiano


Talvez pela primeira vez na história do cinema um movimento de vanguarda se preocupou em retratar a realidade daqueles que assistiam ao cinema; o neo-realismo surgiu logo a pois o fim da 2ª guerra mundial, em 45, e teve fim no início da década de 50 e influenciou muitos outros filmes mesmo fora da Itália muito tempo depois de seu término.
Cena de Ladrões de Bicicleta (1948, De Sica).
Logo após a guerra, uma Itália arrasada pelo conflito e com boa parte da população em estado crítico, os cineastas italianos oficializaram um processo que já vinha ocorrendo desde antes da guerra, em que voltavam seus olhos para a sociedade, sua realidade, suas dificuldades e seus valores, adotando um estilo parecido com o de um documentário.   
Algumas características das filmagens que tornaram o neo realismo um estilo bastante curioso foram as atitudes de alguns diretores, como utilizar atores não profissionais, que as vezes, tinham a liberdade de falar em dialetos locais,  como em A Terra Treme (Visconti, 1948). Alem do costume de filmar nas ruas, não mais em estúdios como Hollywood fazia o tempo todo. 
A verdade é que, como o movimento Noir, o neo realismo também não foi exatamente um movimento pensado e organizado por um grupo unido de cineastas, mas sim uma espécie de orientação estética, como declararia De Sica : “Não é que um dia, sentamos numa mesinha da Via Veneto, Rossellini, Visconti e eu dissemos: agora vamos fazer o neo-realismo. Nós mal nos conhecíamos”.  


Cena de Roma, Cidade Aberta (1945, Rossellini).
O marco inicial do movimento foi Roma, Cidade Aberta (Rossellini, 1945), seus principais representantes foram o próprio Rossellini, Visconti (Obsessão, 1942/A Terra Treme, 1948), Zampa (Processo Alla Città,1952), De Santis (Roma, às Onze Horas,1952), e Vittorio De Sica, que produziu o que talvez seja o mais ilustre fruto do movimento, Ladrões de Bicicleta (1948). Este ultimo representa bem a ideia do neo realismo, no filme, através da jornada de um homem e de seu filho em busca de uma bicicleta roubada, e produzido de acordo com as “regras” da estética neo realista, como iluminação natural e a câmera quase como um expectador,  além da  dos cenários reais (o filme se passa quase que inteiro nas ruas de Roma), é retratada uma sociedade injusta e nada solidária, uma crítica ferrenha contra os conformistas e que busca o auto questionamento por parte da sociedade.
Pode-se ver ainda hoje que, apesar de o movimento original ter tido fim por volta de 1955 (devido aos governos conservadores que assumiram o poder na Itália, que favoreceram produções americanas às italianas no circuito de distribuição), suas características ainda estão presentes ainda hoje em produções de todo o mundo que mostram a realidade de forma crítica, até mesmo no Brasil. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fases do cinema - Filmes Noir

Definir o noir se revela uma tarefa trabalhosa para os críticos e cinéfilos que o amam, afinal, o termo “noir” surgiu bem depois, e bem distante de onde ocorreu a produção destes filmes, que foi por volta da década de 1940, em Hollywood.
Film noir (filme preto/negro em francês) foi um termo criado por críticos franceses que, privados de acesso ao cinema hollywoodiano durante a ocupação nazista na 2ª guerra, assistiram com grande entusiasmo essa remessa quando a guerra acabou.
Pacto de Sangue (Billy Wider, 1944).
Outros críticos porém, afirmam que o noir jamais existiu, isto pode até ser verdade, não havia entre os diretores um pensamento unificado ou uma vanguarda artística de diretores que pregava a estética ou o gênero noir. O que tais críticos não enxergam é que não se trata de um tom ou de um gênero, se trata de um fenômeno social (apesar de ser difícil de ser descrito, é verdade).
Os mais ilustres representantes deste estilo são: Relíquia Macabra (John Huston, 1941), Um Retrato de Mulher (Fritz Lang, 1944), À Beira do Abismo (Howard Hawks, 1946), e, o que em minha opinião é o melhor do estilo, Pacto de Sangue (Billy Wilder, 1944). Alguns elementos técnicos afins que os caracterizam como noir são a narração em off, uso de flashbacks e iluminação com forte influência do expressionismo alemão, bastante escura, o que proporciona contraste e destaque às sombras. E ainda dizem que O Poderoso Chefão foi o primeiro “filme escuro”.  No enredo, geralmente o noir envolvia uma famme fatale (loira fatal), um detetive durão e um contexto repleto de erotismo e violência.  
Chinatown (Polanski,1976), exemplo de filme neo- noir.
Um dado que ajuda a comprovar o fenômeno noir é o fado de, algumas décadas depois de seu auge, ter ocorrido um neo-noir, com filmes como: Chinatown (Polanski, 1974), Veludo Azul (David Lynch, 1986) e Taxi Driver (Scorsese, 1976). Ou seja, é um estilo muito versátil que pode o tempo todo ser reinventado e ressurgir, e que instiga o fascínio do público com seus enredos policiais, sua denúncia à hipocrisia e a corrupção embutida nos valores sociais, sua problematização da sexualidade, mas principalmente por conta de seu sarcasmo, muito bem ilustrado na declaração de amor que encerra o filme Pacto de Sangue.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fases do Cinema- Western

O western foi um gênero cinematográfico americano baseado no passado da própria América, que, além de ajudar a entender a mentalidade do povo americano, nos ajuda a entender a própria historia do cinema.
O Western foi um estilo de data abrangente; começou por volta de 1903 com O Grande Roubo do Trem (Edwin Porter) e na opinião de alguns críticos, dura até hoje. Porem há de se reconhecer que o gênero perdeu sua força com o passar do tempo, e trato aqui por western os filmes realizados desde o começo do século passado até o começo da década de 1970, quando a “era de ouro” do gênero acabou.
Cena de O Grande Roubo do Trem (1903, Edwin Poter).
Os filmes retratam um período entre 1830 e 1890, quando ocorreu o processo de expansão do território americano rumo à oeste e a luta contra tribos indígenas que os habitavam.
Várias regras e recursos básicos da linguagem cinematográfica foram introduzidos a partir dos filmes western. D. W. Griffith, por exemplo, passou a utilizar em seus filmes como Fighting Blood (1911), a montagem paralela e o close up. 
Outro cineasta da época que inovou foi Thomas H. Ince, com filmes como The Battle of Gettysburg (1913), onde enfatizou a importância do roteiro de filmagem, em que havia uma descrição dos cenários, dos gestos das personagens, separação das partes dos filmes por cenas, entre outras inovações que contribuíram para a ampla utilização do uso do roteiro durante as filmagens.
                 Os enredos dos filmes geralmente giravam em torno do herói, o cowboy. Ele surge como agente restaurador da ordem e possui um firme código de honra (que sempre esteve em sintonia com os ideais americanos). Em geral, os filmes também apresentavam alguns personagens clichês como a garota de bom coração, o xerife covarde, um alcoólatra, etc. Tudo agia de modo a expressar oposições, como o índio/bandido contra o cowboy, a ordem e a desordem, mas principalmente, simbolizava o avanço da civilização sobre a natureza e o oeste selvagem ( que pode ser comparado na vida real com o imperialismo americano).
Jonh Wane, ator ícone do gênero, em O Homem Que Matou o Facínora (1963, Jonh Ford).
Quase nenhum gênero/estilo teve tanta duração quanto o western, nos mais de 50 anos em que durou a “era de ouro” diversos bons filmes foram produzidos e diversos bons diretores foram revelados ao público, entre eles: George Stevens, com Os Brutos Também Amam (1953), Nicholas Ray com Johnny Guitar (1954), e William Wyler com O Galante Aventureiro (1940).
Aquele porém, que conseguiu mais destaque foi Jonh Ford, diretor de diversos clássicos como Paixão de Fortes (1946), No Tempo Das Diligências (1939), além daquele que viria a ser o prenuncio do fim da era de “ouro do western”, O Homem Que Matou o Facínora (1963).
Entre os final do anos 60 e inicio da década de 70 o gênero entrou em decadência. Muitos dos aspectos e convenções do western foram incorporados a outros gêneros ( como a ficção ciêntifica de Star Wars), porém, o western em si não já não era capaz de acompanhar os valores da sociedade americana e tornou-se obsoleto, contudo, a magia dos filmes clássicos do gênero jamais será esquecida e continuará servindo de inspiração para novos cineastas; assim como os filmes clássicos irão continuar encantando plateias de todo o mundo por muitas gerações.  
 Curiosidades: Jonh Wane(foto), ator participou de diversos filmes do gênero, principalmente em filmes de Jonh Ford, como No Tempo das Diligências, tornou- se praticamente um ícone do estilo western. Outra, o plano americano, em que o enquadramento mostra desde pouco abaixo da cintura até um pouco acima da cabeça dos atores, foi criado nos filmes do gênero, já que era necessário mostrar os cowboys sacando as armas do cinto.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fases do Cinema- Surrealismo

Cena de A Idade do Ouro.

                Este gênero de cinema é um pouco complicado de discutir, pois é problemático definir quais filmes fariam parte do movimento surrealista e até mesmo o que seria o surrealismo. De modo geral, os filmes surrealistas (que atingiram seu ápice entre o fim da década de 1920 e o começo da década de 1930) procuravam não seguir qualquer norma cinematográfica existente.
                Os roteiros possuíam histórias não lineares e pouco ou nada críveis, os surrealistas buscavam explorar as fronteiras entre sonho e realidade, consciente e inconsciente, buscando chamar a atenção do espectador, embora às vezes algumas cenas sejam de difícil compreensão, não apresentando nenhum sentido explícito.
                Entre as experiências cinematográficas do gênero (como muitos outros movimentos, este teve sua origem na pintura), constam: A Concha e o Pastor (1927) de Germaine Dulac, Um Cão Andaluz (1929) e A Idade do Ouro (1930) de Luiz Buñuel (que é considerado o maior diretor surrealista).
Cena de Um Cão Andaluz.
           Há também alguns filhos do movimento que surgiram em datas ou locais distantes dos em que ocorreu o ápice, e por isso podem ser menos conhecidas, como:  o brasileiro Limite (1931), de Mário Peixoto,  Julieta dos Espíritos (1965), de Federico Fellini, O Discreto Charme da Burguesia (1972) de Buñuel e El Topo (1970) de Alejandro Jodorowsky.
Apesar de não ser um estilo de meu agrado, creio ser importante ver o surrealismo como uma demonstração de que as fronteiras do cinema são inexistentes, e que não há limites para o que pode ser retratado nos filmes, incluindo até os sonhos e fantasias mais mirabolantes.       

sábado, 28 de janeiro de 2012

Fases do Cinema – Impressionismo Francês


Deve-se destacar esse movimento, pois, apesar de possuir uma certa rivalidade com o expressionismo alemão. Ambos trabalharam rumo a uma mesma direção, o reconhecimento do cinema diante de um publico intelectual, o reconhecimento deste como arte.

O impressionismo foi um estilo de fazer cinema muito popular na França durante toda a década de 1920, ficou muito conhecido por defender o cinema como um meio autônomo, singular, “puro”. Porem adotou da pintura impressionista a presença de um olhar móvel do espaço.  

O Espelho de Três Faces (1927, Jean Epstein)
As principais inovações promovidas por esta vanguarda foram na área da aparência fotográfica. Distorções, montagem acelerada, superexposições e ângulos inovadores estão entre o amplo leque de inovações promovidas pelos impressionistas. Além disso, os filmes dessa época conseguem demonstrar de maneira bem sucedida o universo interior das personagens (como no filme eldorado, 1921, de L’Herbier, através de um efeito de foque e desfoque, consegue mostrar os sentimentos de uma das personagens).
Napoleão (1927, Abel Gance)
            Um amplo numero de diretores franceses aderiram a estética à época, como Louis Delluc, que sugeriu o uso do termo impressionismo, além de dirigir filmes como A inundação (1924). Outro diretor fundamental foi Abel Gance, que pôs em prática vários anseios do movimento, como alguns ângulos revolucionários que podem ser encontrados em Napoleão (1927). Outros diretores importantes são: L’Herbier (Eldorado, 1921), Germaine Dulac (A Sorridente Madame Beudet, 1922) e Jean Epstein (considerado o mais inovador diretor do movimento, por filmes como O espelho de Três Faces, de 1927, que rompe com a estrutura linear das narrativas da época).    
Curiosidade: neste movimento foi provavelmente criada a noção de que o diretor só é verdadeiramente autor do filme quando também é roteirista do mesmo, o que lhe confere mais liberdade de criação.